A retração da gengiva pode comprometer a estética e a saúde bucal, mas os avanços da Odontologia regenerativa permitem restaurar o tecido e proteger o dente.
O que é a recessão gengival?
A recessão gengival ocorre quando a gengiva se retrai e expõe parte da raiz do dente.
Além de causar sensibilidade e desconforto, ela é um sinal de perda de suporte gengival e ósseo, podendo evoluir para mobilidade e até perda dentária se não tratada.
As causas mais comuns incluem:
- Escovação traumática;
- Bruxismo e apertamento dental;
- Inflamação periodontal;
- Xerostomia (boca seca);
- Doença do refluxo gastroesofágico (erosão ácida).
A importância do diagnóstico preciso
Cada tipo de recessão exige uma abordagem diferente.
Por isso, o primeiro passo é avaliar a causa e a profundidade da retração.
O diagnóstico inclui:
- Análise clínica e radiográfica do nível ósseo;
- Avaliação do biotipo gengival;
- Avaliação oclusal (forças mastigatórias e bruxismo);
- Investigação de hábitos e doenças sistêmicas associadas.
Tratar apenas o sintoma (como a sensibilidade) sem corrigir a causa é o principal erro — e pode agravar as perdas gengival e óssea.
Tratamentos mais eficazes para a recessão gengival
A odontologia moderna oferece protocolos regenerativos com excelentes resultados clínicos e estéticos.
A escolha depende da causa, profundidade e localização da recessão, mas os principais são:
1️⃣ Enxerto de tecido conjuntivo subepitelial
Padrão-ouro em cobertura radicular. 
Esse procedimento utiliza tecido retirado do próprio palato (céu da boca) ou de matriz colágena biológica.
O enxerto é reposicionado sobre a raiz exposta e coberto pela gengiva, promovendo:
- Reposição da margem gengival;
- Aumento da espessura e resistência do tecido;
- Reconexão biológica estável.
Estudos controlados e revisões sistemáticas (Cochrane, Cairo et al., J Clin Periodontol, 2014) apontam taxa média de sucesso acima de 90% em casos bem indicados.
2️⃣ Enxerto com matriz dérmica
Alternativa segura e estética ao enxerto autógeno.
Utiliza tecido sintético tratado e esterilizado, evitando a necessidade de remoção de tecido do palato. É indicado para:
- Pacientes com múltiplas recessões;
- Casos onde se deseja menor morbidade e tempo cirúrgico.
Evidências mostram resultados clínicos e estéticos comparáveis ao enxerto de conjuntivo, com menor desconforto pós-operatório.
3️⃣ Técnicas de reposicionamento coronal da gengiva
Procedimento minimamente invasivo, ideal para retrações leves e biotipos gengivais espessos.
A gengiva é deslocada em direção à coroa do dente, cobrindo a área exposta. Pode ser combinada a enxertos ou materiais regenerativos. Os resultados previsíveis quando há tecido gengival suficiente.
4️⃣ Tratamento de suporte: controle da causa
Mesmo o melhor enxerto pode falhar se a causa não for controlada.
Por isso, o plano deve incluir:
- Ajuste de escovação com escovas ultramacias e técnicas atraumáticas;
- Terapia oclusal e placa estabilizadora em casos de bruxismo;
- Controle de inflamação periodontal com raspagem e polimento;
- Tratamento do refluxo e correção de hábitos alimentares ácidos;
- Atenção à ansiedade e à xerostomia, com suporte médico e psicológico.
O sucesso está na combinação entre regeneração e prevenção.
O que a ciência mostra sobre regeneração gengival?
A literatura atual comprova que a cobertura radicular completa é possível em mais de 70% dos casos, especialmente quando o tratamento é precoce.
O tecido regenerado apresenta nova adesão de colágeno e aumento da vascularização, o que melhora a resistência e reduz a chance de novas retrações.
Pesquisas (Tonetti & Cortellini, 2018; Chambrone et al., 2018) reforçam que a cirurgia mucogengival associada a biomateriais e fatores de crescimento (PRF) aumenta a previsibilidade dos resultados.
💬 O olhar AIRA
Na AIRA, entendemos a recessão gengival como um marcador precoce de desequilíbrio na saúde oral e sistêmica.
Nosso protocolo integra:
- Diagnóstico digital e clínico do periodonto;
- Planejamento regenerativo personalizado;
- Técnicas minimamente invasivas e biomateriais de alta biocompatibilidade;
- Acompanhamento multidisciplinar (periodontista + controle oclusal + suporte médico).
Tratar a gengiva é restaurar saúde, função e equilíbrio — porque a saúde começa pela boca.
Conclusão
A recessão gengival tem tratamento — e os resultados podem ser excelentes quando o diagnóstico é precoce e o protocolo é individualizado.
Mais do que recuperar estética, o objetivo é reconstruir a base que sustenta o sorriso e proteger os dentes por toda a vida.
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